A história se inicia em 1984, quando o foco da Nike era em calçados de atletismo, porém, mesmo naquela época, havia uma ambiciosa meta de se implantar no mundo dos jogadores e consumidores de produtos de basquete. Dessa forma, para realizar essa inserção, a peça essencial para a reviravolta foi o ex-executivo de marketing esportivo Sonny Vaccaro. Nesse contexto, o ex-executivo foi quem reforçou o quanto Michael Jordan seria a melhor escolha para a ascensão da marca no ramo, já que ele era o jogador que, na época, tinha acabado de sair de seu time na universidade para ir ao time Chicago Bulls da NBA, que é uma das franquias mais famosas da liga de basquete americana. Nesse momento, Rob Strasser, ex-vice presidente da Nike, diz a famosa frase “Um tênis é só um tênis até alguém começar a usá-lo”.
Sendo assim, Sonny e sua equipe tinham 250 mil dólares para aplicar em três jogadores que acreditavam que seriam grandes promessas do esporte. Mas, o ex-executivo de marketing sentia que para alavancar a marca Nike e fazê-la virar a mais renomada do ramo de basquete, era algo que somente poderia ser feito por Jordan, e propôs que os 250 mil fossem investidos apenas nele. Entretanto, Michael não media esforços para mostrar que não sentia vontade na parceria com a Nike, deixando explícito em vários momentos que preferia a Adidas e a Converse, respectivamente.
Assim, no filme é possível perceber as ações do time de marketing da Nike para atingirem o seu objetivo, como no momento que Sonny viaja até a Carolina do Norte para conseguir falar com a mãe de Jordan, tendo em mente a ideia de persuadir a família do jogador para se interessarem pela Nike, de modo que apelaram para o lado emocional dele. Nesse sentido, a empresa americana optou por criar um tênis nas cores vermelho e preto, cores do time Bulls, indo contra as regras da NBA da época, precisando pagar 5 mil dólares de multa por jogo. Entretanto, isso não seria um empecilho para a Nike, já que na cabeça de Sonny, tudo valeria a pena no final, Michael traria grandes lucros e aumentaria o awareness da empresa.
Por consequência, Jordan começa a se interessar pela marca, já que Sonny enxergava algo nele que as outras empresas não viam. Enquanto as concorrentes enxergavam o jogador como apenas mais um produto, Sonny o via como um símbolo, visto que Michael seria o rosto da nova linha deles, a “Air Jordan”, o que o tornaria um ícone no ramo de basquete.
Para que a família Jordan aprovasse a nova parceria, Deloris Jordan, mãe de Michael, exigiu que em cada produto que tivesse o nome do seu filho, ele recebesse uma porcentagem em cima do valor do item. A Nike ficou relutante para aceitar essa proposta, mas Deloris utilizou a frase que Rob Strasser disse ao seu favor, modificando-a para “Um tênis é só um tênis até que o meu filho comece a usá-lo”. Assim, a marca acaba aceitando os posicionamentos de Deloris e, por conta dessa parceria a Nike obteve 162 milhões de dólares apenas com a linha “Air Jordan” no primeiro ano, em comparação com os anos anteriores, ela havia vendido não mais que 3 milhões de dólares com o seu melhor tênis.
Nos dias atuais, a linha de Michael Jordan rende 4 bilhões de vendas anuais e com elas Jordan deve receber em torno de 400 milhões de dólares. Isso mostra o quão eficiente foi a insistência de Sonny para que a Nike acreditasse em seu olhar perante Michael e como o marketing, juntamente com a pessoa certa para influenciar seus clientes, pode alavancar as vendas da empresa e levá-la ao auge, sendo um exemplo para outras marcas e sendo capaz de revolucionar os calçados no ramo de basquete.
Escrito por: Alexia Maltarolli